terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Fantasia


Escondida de mim mesma
visto as asas da libélula e finjo que sei bailar.
Misturada a outras tantas
tintas de outras cores
cheiros de outras flores
canções que eu não sei cantar,
rodopio leve e lépida
entre um suspiro e um arquejo.
Travestida ou camuflada?
Vestida ou fantasiada?
Mentira séria ou inventada?
Eu não sei, mas não faz mal...
Melhor do que a fantasia
é poder despir-se dela
no final
de todo dia.
Lilian Dalledone

Semeando

Insone
Semeio lágrimas
na esperança adolescente
que elas floresçam poesia.
Amanhã, quem sabe
haja chuva
pra fertilizar o sentimento
e fazê-lo brotar
palavra
que ruminarei, insistente
até me satisfazer
poeta.
Lilian Dalledone

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Palavra Mágica


Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.

Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.

Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade

sábado, 25 de fevereiro de 2012

16 anos sem Caio F.

* 12 de setembro de 1948
+ 25 de fevereiro de 1996


"Não se preocupe. Não fique triste. Tudo me parece muito lógico: Que outra morte eu poderia ter? É a minha cara! E futilidade foi matéria de salvação: convenhamos que é muito moderno, muito in... Só choro às vezes porque a vida me parece bela (O sol. As cores. As coisas). Mas é de emoção, não de dor. Tá tudo certo"
"A solidão às vezes é tão nítida como uma companhia. Vou me adequando, vou me amoldando. Nem sempre é horrível. Às vezes é até bem mansinha. Mas sinto tão estranhamente que o amor acabou [...] Repito sempre: sossega, sossega – o amor não é para o teu bico."

"A Vida é apenas uma ponte ente dois nadas e tenho pressa"


"Não escreva nada, não nos procuraremos mais: um dia nos cruzamos por acaso de repente, e então vemos o que aconteceu a nossos rancores e reagimos de acordo com isso. Mas se você quiser me contar de suas funduras, e não apenas defender-se - e os amigos são, sim, para trocar abismos - então me escreva 10, 100 páginas, e eu repoonderei com calor, com carinho, com toda amizade que realmente sinto por você"



"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso, ando cada vez mais só."
 
"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada"

Caio Fernando Abreu





Alegria
Trêmula gota de orvalho
 presa na teia de aranha,
rebrilhando como estrela.
Helena Kolody

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Acordar da Cidade de Lisboa

[...]
Eu adoro todas as coisas
E o meu coração é um albergue aberto toda a noite.
Tenho pela vida um interesse ávido
Que busca compreendê-la sentindo-a muito.
Amo tudo, animo tudo, empresto humanidade a tudo,
Aos homens e às pedras, às almas e às máquinas,
Para aumentar com isso a minha personalidade.

Pertenço a tudo para pertencer cada vez mais a mim próprio
E a minha ambição era trazer o universo ao colo
Como uma criança a quem a ama beija.
Eu amo todas as coisas, umas mais do que as outras,
Não nenhuma mais do que outra, mas sempre mais as que estou vendo
Do que as que vi ou verei.
Nada para mim é tão belo como o movimento e as sensações.
A vida é uma grande feira e tudo são barracas e saltimbancos.
Penso nisto, enterneço-me mas não sossego nunca
[...]
Álvaro de Campos

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Autobiografia

Meus sapatos são canetas.
Não deixo rastros,
deixo letras.


Meus caminhos são poemas.
Não deixo lágrimas,
deixo tremas.


Assim vou andando
na minha estrada de papel,
pendurando as estrelas
num cordel.

Olegário Schmitt

Leilão de Jardim


Quem me compra um jardim com flores?
borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,
uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?
E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua canção?
E o grilinho dentro do chão?

(Este é meu leilão!)

Cecília Meireles

As Pequenas Palavras

De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.

De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólen, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.

De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.

E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.
Rosa Lobato de Faria

Infância

Eu fui meu
como o espaço
era do pássaro.
Eu me soltava
em cantos e plumas
pelos campos da manhã.
Eu brincava comigo:
eu era eu
e o meu amigo.
Eu me falava baixo
para não espantar
o meu silêncio.
Eu era pequeno
e imenso
Wilson Pereira

Delicadeza

Com vestido de flores
E presilha no cabelo
Vou te esperar no portão pela tardinha
E quando chegares
Usarei o meu melhor sorriso
E te darei as margaridas que ainda restarem
Da minha brincadeira
De mal me quer bem me quer
Lou Witt

Som dos Ventos

Significado

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Belo Carnaval Prá Você

B eleza e encantos mil
E sse é o carnaval do Brasil
L indos desfiles, Escolas de Samba.
O brilho,alegria,a Avenida se estampa

C arnaval de ritmos e cores
A traindo multidões e foliões
R isos, adereços, frevo,diversidade
N as regiões,harmonia,euforia nos corações
A magia dos astros e estrelas
V ale precaução, evitando desilusão
A garrando a alegria, mande embora a tristeza
L indo carnaval Festival de Beleza

P ra quem quer só descansar
R omantismo vai rolar
A legria, emoção, amor noutro lugar.

V eja a vida com cuidado e se cuide
O carnaval passa e você fica
C om alegria, brilho e alto- astral
Ê nfase...desejo a você,um belo carnaval
Marisa de Medeiros

Noite dos Mascarados

Aquarela Azul

Pousada sobre a flor,
frágil e bela em demasia!
Tão diáfana que não se sabia,
o que era borboleta, flor...
ou se era só poesia!

Tremem as pétalas liláses
ao vento breve.
Fremem as asas anis
à brisa leve.

E há um céu sem nuvens
no olhar do poeta,
entre o azul das asas
e o azul da pétala.

Lenise Marques

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Esse estranho que mora no espelho
(e é tão mais velho do que eu)
 olha-me de um jeito de quem procura adivinhar quem sou
Mario Quintana
Objeto dos sonhos:
um relógio com ponteiro que pule horas difíceis.

Fernanda Gaona