Meus dias têm o hábito de caminhar pela alameda sem dar conta de mim. Um hábito que as tardes me ensinaram generosamente. Os bolsos cheios de nada e as mãos vazias de tudo De volta, o portão de casa entreabre os braços secos e me convida para entrar E vem aquela sensação de que esqueci de me lembrar do que o dia indiferente não contou Retorno em busca da lembrança do sorriso de amizade, do cântico de um pássaro, de um beijo que me deu a brisa E só então percebo que minhas mãos vadias – não sabendo uma o que a outra anda fazendo – já me haviam tocado o coração secretamente com o encanto que as idas e vindas pela vida acabavam de me dar Entro afinal, e num cantinho da memória um sorriso de criança acende a luz da minha alma Como se alguma flor esquecida estivesse me estendendo a mão a mão do aroma de rosas que ainda me acompanha Afonso Estebanez