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segunda-feira, 20 de abril de 2009

Amei o Amor


Ansiei o Amor.
Sonhei-O
Uma vez, outra vez (Sonhos Insanos)!
E desespero haja maior não creio
Que o da esperança dos primeiros anos.

Guardo nas mãos, nos lábios
guardo em meio do meu silêncio, aquém dos olhos profanos,
Carícias virgens, para quem não veio
E não virá saber dos meus arcanos

Desilusão tristíssima, de cada momento
Infausta e merecida sorte
de ansiar o Amor e nunca ser Amada

Meu beijo intenso e meu abraço forte
com que pesar penetrareis o Nada
levando tanta vida para a Morte...
GIlka Machado

sábado, 14 de março de 2009

Reflexões (IV)


Eu sinto que nasci para o pecado,
se é pecado, na Terra, amar o Amor;
anseios me atravessam, lado a lado,
numa ternura que não posso expor.

Filha de um louco amor desventurado,
trago nas veias lírico fervor,
e, se meus dias a abstinência hei dado,
amei como ninguém pode supor.

Fiz do silêncio meu constante brado,
e ao que quero costumo sempre opor
o que devo, no rumo que hei traçado.

Será maior meu gozo ou minha dor,
ante a alegria de não ter pecado
e a mágoa da renúncia deste amor?!...
Gilka Machado

sexta-feira, 13 de março de 2009

O Retrato Fiel


Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!

Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.

Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;

naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.

Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.

Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.
Gilka Machado

terça-feira, 10 de março de 2009

Reflexão



Há certas almas
como as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.

Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detêm-nas,
mas, quase sempre,
por saciedade
ou piedade,
libertam-nas outra vez.

Ela, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...

Almas e borboletas,
não fosse a tentação das cousas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!...
Gilka Machado