quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Espelho

Sou prata e exato. Não tenho preeconceitos.
O que quer que veja, absorvo de imediato
Tal como é, indiferente ao amor ou desdém.
Não sou cruel, apenas verdadeiro -
O olho de um pequeno deus, com quatro cantos.
A maior parte do tempo medito sobre a parede oposta.
É côr de rosa, com pequenos pontos. Olhei tanto para ela
Que já faz parte do meu coração. No entanto, deixa-se afastar.
Os rostos e a escuridão estão sempre a separar-nos.

Agora sou um lago. Uma mulher inclina-se sobre mim
Procura em mim o que ela realmente é.
Depois volta-se para aqueles mentirosos, os candeeiros e a lua.
Vejo-lhe as costas, que reflicto fielmente.
Em troca, ela dá-me lágrimas e um movimento de mãos
Sou importante para ela. Ela vem e vai.
Todas as manhãs, é o rosto dela que substitui a escuridão.
Em mim ela afogou uma menina, e em mim uma velha
Sobe até ela, dia após dia, como um peixe feio.
Sylvia Plath