quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

 

Ao longe, ao luar,
No rio uma vela,
Serena a passar,
Que é que me revela?

Não sei, mas meu ser
Tornou-se-me estranho,
E eu sonho sem ver
Os sonhos que tenho.

Que angústia me enlaça?
Que amor não se explica?
É a vela que passa
Na noite que fica.
Fernando Pessoa

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013


A linguagem é uma pele: esfrego a minha linguagem contra o outro. É como se tivesse palavras de dedos ou dedos na extremidade das minhas palavras.
Roland Barthes

Não tenho qualquer disponibilidade para o mundo. Percorro lugares insuspeitos dentro de mim, estou cada vez mais só e já não me lamento. A vida deixou de me embriagar. Paciência. Nenhum fascínio pela morte. Escrever talvez seja o espaço habitual entre vida e morte. Aí me mantenho, aí me vou consumindo e sobrevivendo nessa espécie de limbo.
Al Berto

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Maria Rita - Redescobrir


Como se fora a brincadeira de roda
Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos

Como um animal que sabe da floresta

Redescobrir o sal que está na própria pele
Redescobrir o doce no lamber das línguas
Redescobrir o gosto e o sabor da festa

Vai o bicho-homem, fruto da semente

Renascer da própria força, própria luz e fé
Entender que tudo é nosso, sempre esteve em nós
Somos a semente, ato, mente e voz

Não tenha medo, meu menino povo

Tudo principia na própria pessoa
Vai como a criança que não teme o tempo
Amor se fazer é tão prazer que é como fosse dor

Como se fora a brincadeira de roda

Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos



Memória!

Macias!
Histórias!
Magia!

Como se fora brincadeira de roda

Jogo do trabalho na dança das mãos
O suor dos corpos na canção da vida
O suor da vida no calor de irmãos
Composição: Gonzaguinha