quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Hábito Adquirido


Meus dias têm o hábito
de caminhar pela alameda sem dar conta de mim.
Um hábito que as tardes me ensinaram generosamente.
Os bolsos cheios de nada e as mãos vazias de tudo
De volta, o portão de casa entreabre os braços secos
e me convida para entrar


E vem aquela sensação de que esqueci
de me lembrar do que o dia indiferente não contou
Retorno em busca da lembrança do sorriso de amizade,
do cântico de um pássaro, de um beijo que me deu a brisa

E só então percebo que minhas mãos vadias
– não sabendo uma o que a outra anda fazendo –
já me haviam tocado o coração secretamente
com o encanto que as idas e vindas pela vida
acabavam de me dar


Entro afinal, e num cantinho da memória
um sorriso de criança acende a luz
da minha alma


Como se alguma flor esquecida
estivesse me estendendo a mão

 a mão do aroma de rosas
que ainda me acompanha

Afonso Estebanez

Nenhum comentário:

Postar um comentário