quinta-feira, 8 de março de 2012
segunda-feira, 5 de março de 2012
Alma Nua
Ó Pai Não deixes que façam de mim
O que da pedra tu fizestes
E que a fria luz da razão
Não cale o azul da aura que me vestes
Dá-me leveza nas mãos
Faze de mim um nobre domador
Laçando acordes e versos
Dispersos no tempo
Pro templo do amor
Que se eu tiver que ficar nu
Hei de envolver-me em pura poesia
E dela farei minha casa, minha asa
Loucura de cada dia
Dá-me o silêncio da noite
Pra ouvir o sapo namorar a lua
Dá-me direito ao açoite
Ao ócio, ao cio
À vadiagem pela rua
Deixa-me perder a hora
Pra ter tempo de encontrar a rima
Ver o mundo de dentro pra fora
E a beleza que aflora de baixo pra cima
Ó meu Pai, dá-me o direito
De dizer coisas sem sentido
De não ter que ser perfeito
Pretérito, sujeito, artigo definido
De me apaixonar todo dia
De ser mais jovem que meu filho
E ir aprendendo com ele
A magia de nunca perder o brilho
Virar os dados do destino
De me contradizer, de não ter meta
Me reinventar, ser meu próprio
Deus Viver menino, morrer poeta
Vander Lee
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
Fantasia
visto as asas da libélula e finjo que sei bailar.
Misturada a outras tantas
tintas de outras cores
cheiros de outras flores
canções que eu não sei cantar,
rodopio leve e lépida
entre um suspiro e um arquejo.
Travestida ou camuflada?
Vestida ou fantasiada?
Mentira séria ou inventada?
Eu não sei, mas não faz mal...
Melhor do que a fantasia
é poder despir-se dela
no final
de todo dia.
Lilian Dalledone
Semeando
Insone
Semeio lágrimas
na esperança adolescente
que elas floresçam poesia.
Amanhã, quem sabe
haja chuva
pra fertilizar o sentimento
e fazê-lo brotar
palavra
que ruminarei, insistente
até me satisfazer
poeta.
Lilian Dalledone
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
A Palavra Mágica
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 25 de fevereiro de 2012
16 anos sem Caio F.
* 12 de setembro de 1948
+ 25 de fevereiro de 1996
+ 25 de fevereiro de 1996
"Não se preocupe. Não fique triste. Tudo me parece muito lógico: Que outra morte eu poderia ter? É a minha cara! E futilidade foi matéria de salvação: convenhamos que é muito moderno, muito in... Só choro às vezes porque a vida me parece bela (O sol. As cores. As coisas). Mas é de emoção, não de dor. Tá tudo certo"
"A solidão às vezes é tão nítida como uma companhia. Vou me adequando, vou me amoldando. Nem sempre é horrível. Às vezes é até bem mansinha. Mas sinto tão estranhamente que o amor acabou [...] Repito sempre: sossega, sossega – o amor não é para o teu bico."
"A Vida é apenas uma ponte ente dois nadas e tenho pressa"
"Não escreva nada, não nos procuraremos mais: um dia nos cruzamos por acaso de repente, e então vemos o que aconteceu a nossos rancores e reagimos de acordo com isso. Mas se você quiser me contar de suas funduras, e não apenas defender-se - e os amigos são, sim, para trocar abismos - então me escreva 10, 100 páginas, e eu repoonderei com calor, com carinho, com toda amizade que realmente sinto por você"
"Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso, ando cada vez mais só."
"Então, que seja doce. Repito todas as manhãs, ao abrir as janelas para deixar entrar o sol ou cinza dos dias, bem assim: que seja doce. Quando há sol, e esse sol bate na minha cara amassada do sono ou da insônia, contemplando as partículas de poeira soltas no ar, feito um pequeno universo, repito sete vezes para dar sorte: que seja doce que seja doce que seja doce e assim por diante. Mas, se alguém me perguntasse o que deverá ser doce, talvez não saiba responder. Tudo é tão vago como se fosse nada"
Caio Fernando Abreu
Assinar:
Postagens (Atom)










