segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Meditação À Beira De Um Poema


Podei a roseira no momento certo
e viajei muitos dias,
aprendendo de vez
que se deve esperar biblicamente
pela hora das coisas.
Quando abri a janela, vi-a,
como nunca a vira,
constelada,
os botões,
alguns já com o rosa-pálido
espiando entre as sépalas,
jóias vivas em pencas.
Minha dor nas costas,
meu desaponto com o limite do tempo,
o grande esforço para que me entendam
pulverizaram-se
diante do recorrente milagre.
Maravilhosas faziam-se
as cíclicas perecíveis rosas.
Ninguém me demoverá
do que de repente soube
à margem dos edifícios da razão:
a misericórdia está intacta,
vagalhões de cobiça,
punhos fechados,
altissonantes iras,
nada impede ouro de corolas
e acreditai: perfumes.
Só porque é setembro.
Adélia Prado

2 comentários:

  1. Bom dia , Sil !
    Adélia é sempre maravilhosa ...

    BjO e um dia cheio de Cores e Sorrisos.

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  2. Bom dia , Sil !
    Acordar e ler Adélia , é tudo de bom ...


    Bjo Grande e um dia cheio de Cores.

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