quarta-feira, 9 de março de 2011

Colar


Ajuntei aqui e ali algumas pedrinhas
Que fui encontrando perdidas pelo chão
Enquanto meus passos se apagavam de ti:


-Uma esmeraldinha pálida de susto
Com as quinas quebradas e cheias de limo
Por conta de um amor desesperançado;

- Um rubi, cor de rosa e já escangalhado,
Com as veias vazias e o coração mudo
De tanto amar intensa e inutilmente;

- Uma safira querendo embranquecer,
Opaca pelo passar de mão em mão
Que lhes foram deixando sem o olhar intenso.

Com elas fiz este colar, amarrado com tristeza,
Que agora te entrego às portas de minha partida:
- Deixo-o para ti como prova de minhas saudades.

Comigo levo apenas aquele seixo rolado pequenino
Por mim recolhido de dentro de tuas águas passadiças,
Onde vou repousar minha cabeça livre e leve e sem sonhos.
Oswaldo Antônio Begiato

Nenhum comentário:

Postar um comentário