sábado, 4 de julho de 2009

Horas


Vieste buscar as horas
Que, quando ainda jovem,
Deixaste abandonadas
No pêndulo do relógio?

Elas trincaram a pele
Do reboco que escondia
A fraqueza das paredes
E a insolência do passado
E descoloriram a retina
Das cortinas que protegiam
A sala das vidraças, do sol
E dos maus olhados.

Leve-as contigo.
Guarde-as.

Guarde-as como quem guarda
O pão caseiro,
No forno do fogão
Cobertas por um pano de prato
Para que testemunhem a saciação
De quem as quer consumidas.

Guarde-as como quem guarda
A aliança de noivado,
Na caixinha de música,
Para que denunciem a subtração
De quem as quer furtadas.

Guarde-as.

Porque elas te encheram a vida de tempo
E lhe farão experimentar o fim.
Oswaldo Antônio Begiato

3 comentários:

  1. Um lindo, lindo poema!...
    Guardas as horas já passadas?... Ah, de pudéssemos...

    bjs.

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  2. Boa noite!!
    Se soubéssemos tudo aquilo
    que está para acontecer amanhã,
    a vida perderia o seu sentido;
    pois os mistérios que ela nos
    reserva são os incentivos para
    acordar no dia seguinte!!
    Um grande beijo!!

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  3. para o amor nao tem hora nen dia ("v")

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