sexta-feira, 6 de março de 2009

Não Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração.

António Ramos Rosa

Um comentário:

  1. CÉU CINZA
    HOMENS PÁLIDOS
    CALAM-SE OS PÁSSAROS
    IMIGRAM OS JARDINS
    CÓRREGOS SECAM
    JANELAS SE FECHAM
    E O SUBSOLO EMERGE
    TRAZENDO ESPERANÇA AMARGA
    TATUADA NAS NUVENS QUE RESTAM
    É CHEGADA A HORA
    DA VIDA PARIR A MORTE
    HÍBRIDA E TREVOSA
    DO ADEUS FRIO
    QUE MES DESTE NA ÚLTIMA NOITE
    PERANTE A NUDEZ DOS MEUS DESEJOS.

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