domingo, 8 de março de 2009

Mulher de Minutos


Não sou mulher de minutos
Daquelas que os segundos varrem
Para debaixo do tapete sujo

Não pinto os cabelos de fogo

Nem faço tatuagem no umbigo
Me recuso a usar corpetes e cinta-liga

Há sementes em meu ventre

São palavras que ainda não reguei
Prefiro guardá-las em silêncio
Até que o tempo amadureça os meus minutos
E a vida me contemple com seus frutos

Eu não borro os meus cílios na solidão da noite

Nem pinto meu rosto com a palidez das manhãs
Meu corpo é feito de marés
Onde navegam mil anseios
Eles são como veleiros sem direção
Porque eu estou sempre na contra-mão.
Mônica Montone

Nenhum comentário:

Postar um comentário